Brasil: somos independentes?


República Federativa do Brasil, ou simplesmente, Brasil. Descoberto oficialmente em 1500 pelos portugueses, mas já habitado muito antes pelos índios. Também consta que se tornou um país independente em 1822, quase 200 anos atrás. Será? Vamos ver:

Fomos colonizados pelos simpáticos (?) portugas, cuja uma das maiores características sempre foi a força do catolicismo. Impossível dissociar isso da nossa história. Crescemos sobre essa ótica, a tradição, o conservadorismo, a sombra do pecado. Não estou falando de fé, ou dogmas, mas sim do impacto dos aspectos culturais da religião na nossa formação. De acordo com a história, temos menos anos de independência do que o período de colonização, ainda nem “empatamos” os números, o que me leva a crer que ainda vivemos fortemente influenciados pela cultura lusitana.

Por mais que as últimas gerações tenham tentado se desvencilhar dessas marcas, nosso povo ainda carrega muito dessa crença no sobrenatural. Obviamente isso não é exclusividade nossa, todo povo tem sua fé, mas vejo que a influência no nosso dia a dia ainda é muito grande. Isso é ruim? Não necessariamente. O problema é saber separar as coisas. O quanto a fé pode influenciar as atitudes (ou a falta delas) no dia a dia? Independente desse lado espiritual, será que nós brasileiros entendemos a importância das nossas ações? O quanto precisamos de fato assumir as responsabilidades pelo que fazemos e deixamos de fazer, sem culpar apenas “a vontade de Deus”? O quanto é importante reconhecermos nossas qualidades e nos valorizarmos, ao invés de dizer que é apenas “a graça dos céus”?

Outra marca do nosso povo é a famosa “malandragem”, o jeitinho brasileiro. Aparentemente algo que transmite uma “flexibilidade”, mas que na verdade esconde uma desorganização e até má-fé ou ainda desonestidade muitas vezes, desde as coisas mais simples até as mais complexas. A famosa “lei de Gérson” caiu como uma luva nesse perfil, e infelizmente não saiu mais do nosso jeito de ser. Naturalmente, todas essas características do “povo”, se refletem também em nossos governantes, afinal eles são um reflexo de todos nós. E daí? Ora, é só ver a precariedade da nossa infra-estrutura de transporte, a qualidade dos serviços públicos de saúde, habitação, educação, nossa falta de visão de longo prazo, nosso imediatismo e individualismo, etc.

As campanhas das eleições evidenciam ainda mais essa falta de profissionalismo. Candidatos fazendo paródias de músicas de sucesso para tentar se aproximar do povo, e grudar seus números em suas mentes, apelos religiosos, emocionais, apelidos bizarros, caricaturas de personagens, etc. Já disse aqui (https://guisantosbr.wordpress.com/2013/12/01/geracao-da-transicao-somos-privilegiados/) o quanto ainda estamos engatinhando na política, mas a julgar pelo que temos visto e ouvido no rádio e na TV, ainda nem largamos a chupeta. Sem contar as decisões superficiais de nós, eleitores. Poucos analisam de fato as propostas dos candidatos, comparando os diferentes pontos de vista, sem fazer escolhas com base em apenas um ou dois aspectos. E ainda tem a falta de acompanhamento dos mandatos. Isso é muito pouco para um país que quer ser grande!

No mundo corporativo ainda vivemos sobre a ótica do paternalismo, onde trabalhadores se consideram “indemitiveis”, em virtude dos serviços prestados. O funcionalismo público é vergonhosamente reconhecido pela ausência de meritocracia e pela suposta estabilidade no cargo que leva ao comodismo dos seus “colaboradores” (aliás, qual a dificuldade de se falar “patrão e empregado”? Não é assim que ainda funciona?). Vivemos e viveremos em um mundo capitalista, e não há espaços para sentimentalismos baratos. Obviamente, se não concordamos e não queremos aceitar esse engrenagem do dinheiro, temos o direito de seguir outros caminhos, com todas os seus custos e benefícios.

Temos ainda (e por enquanto) muitos recursos naturais, fomos privilegiados por não sofrermos das grandes catástrofes da natureza, mas também não soubemos administrar isso. Quanto da nossa fauna e flora já foram perdidos? Quanto poderia ter sido melhor aproveitado, de uma forma sustentável, antes que essa palavra virasse moda?

O panorama que tenho do Brasil é que seremos eternamente amadores. Sempre naquela improvisação, em cima da hora, no final tudo dá certo. Será que não há uma forma de fazermos as coisas de um jeito mais adequado, melhor formatado, sem perder algumas de nossas características?

Naturalmente, há muitas exceções aos comportamentos citados. Embora possa parecer, não entendam o texto como uma mera generalização barata e/ou estereotipada de toda a população, mas são comportamentos e atitudes que vemos com frequência, apesar de tantos casos de sucesso de nossos compatriotas que souberam “subir o nível”.

Talvez o eternamente acima seja um exagero. No fundo, ainda tenho uma esperança que as novas gerações (na qual eu me incluo), serão capazes de olhar profundamente sobre esse cenário, melhorar tantas atitudes, comportamentos (quem sabe chegando até na nossa cultura), e de fato construir uma sociedade mais moderna e por que não, profissional. E quando esse dia chegar, aí sim poderemos comemorar nossa independência.

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